quarta-feira, 18 de agosto de 2010

''Catolicidades''.

Observava o mundo como se nunca tivesse estado ali. O frio era estúpido e seu nariz guardava resíduos de poeira condensados no muco, graças à baixa temperatura, formando uma dolorosa placa junto aos pêlos nasais. Pêlos. Possuía-os em variados formatos e cores ao longo do corpo, e sempre que possível raspavá-os, como se neste ato mantivesse a distância entre si e os símios ancestrais.
Não sabia exatamente o que tinha feito com que entrasse na igreja, mais ou menos como os cães. Lá havia uns poucos fiéis, em sua maioria senhoras aposentadas, que criavam e levavam uma vida social em torno das máscaras dogmáticas da fé católica. Gostavam de comentar sobre as refeições servidas pelos paroquianos, pecados imperdoáveis e de deixar suspensa no ar a dúvida sobre o ''caráter católico'' de uma ou outra senhora que eventualmente fez ou fará o mesmo.
Só queria encontrar um local onde pudesse sentar-se longe do frio, com boa iluminação, odor agradável e principalmente, um local onde não precisasse falar com ninguém. Encontrou ali o local perfeito para instalar-se.
Antes de adrentrar o templo sagrado, tentou fazer uma genoflexão¹ e um sinal da cruz, o qual depois verificou ter feito errado. Não o fez por fé, mas por respeito aos que a vissem da entrada. Sentou-se na fileira da direita e observou o comportamento dos fiéis, tão obedientes. Não entendia como as pessoas conseguiam gostar de ser chamadas de ovelhas do Senhor. Decerto que deveria ser agradável sentir-se incluído em um grupo, parte de um rebanho, mas parecia um pouco constrangedor à ela a idéia de algém gostar de ser chamado assim. Deixando estas considerações sobre a vergonha alheia de lado, ajoelhou-se no estrado de madeira, pois não queria causar furor em relação a sua presença ali.
Quando criança, pensava que os estrados eram descansos para os pés, e que as igrejas eram todas bizarras e medonhas. Aquela não. Era uma paróquia pós-moderna, possuía um painel com a Santa Ceia desenhada nos traços de algum artista que não detalhava rostos. O tom do fundo era alaranjado e feliz, contrastando com a seriedade dos bancos cor de carvalho. Jesus sofredor na cruz, como sempre, ali. Imaginava que as pessoas costumavam pensar em um Jesus dilacerado, um salvador benevolente que assim o fez para limpar seus pecados. A imagem é quase digna de pena, uma vez que os esforços dele hoje em dia lhe pareciam em vão. O púlpito tinha um design muito pouco convencional, coberto com uma seda verde esmeralda. As grandes velas, também verdes, em castiçais dourados , complementavam a visão, com o padre de batina branca no centro de tudo. Parecia novo. Era tão delicado que se não fosse padre, provavelmente seria uma transexual. Ao pensar isso, sentiu um pequeno prazer escondido na ''blasfêmia'' e relembrou, na hora do ''este é o meu sangue e esta é a minha carne'' (ou seria o contrário?) que nunca sequer tinha tido vontade de ter aulas em catequeses. Desde cêdo, a fé de indulgências não a atraía.
Ajoelhada ali, nada sentiu. Apreciou o seu não-sentir e quedou parada. Sentou-se e deu tímidos e educados acenos aos fiéis, ao som de '' cumprimentai vossos irmãos na paz do senhor'' ou algo assim e, ao término da cerimônia ( ela já havia chegado quase no final) foi olhar mais de perto o altar.
Perto dos castiçais, sentindo o cheiro doce das velas verdes, perguntáva-se se os padres também não seriam homens que desejam os olhos de um público. Obrigando-se a manter o celibato num esforço quase mítico de semi-deuses, transferindo seu conhecimento secreto das leis divinas e conforto aos pobres diabos desesperados que como carrinhos de bate-bate, iam parar em suas igrejas; que de suas mãos puras e santificadas jorrasse a fonte inesgotável de bênçãos que eles mesmos acreditavam, e que assim, sendo fiéis e sagrados, seriam maiores que os homens, ganhando não só a ''Paz do Senhor'', como também o respeito e a admiração das hipócritas senhoras aposentadas da paróquia. Seria melhor que assumissem a condição humana e corressem mundo em circos. Mais divertido, inspirador e bonito.
Lembrava-se que em todas as igrejas católicas era regra a existência de um velário na parte interna do prédio. O cheiro e o calor das velas seriam um conforto, o qual ela se permitiria. Saindo de uma porta atrás do altar, o padre, não mais usando a bata branca, e sim uma combinação pequeno-burguesa com uma marca estrangeira gritando no peito. Indagou a ele se havia ali em algum lugar o velário. A resposta, surpreendente, veio em dois sabores:

- Minha filha, você tem duas opções: Tem lá fora o velário convencional e aqui do lado o eletrônico, se você preferir. - E saiu com um sorriso, perguntando a uma menininha de cabelos crespos se ela já havia rezado (o tal do velário eletrônico consistia em lâmpadas em formato de vela, que a pessoa orava e apertava um pequeno botão para ligar).
Ora! Muito conveniente! Hoje em dia as pessoas acendem falsas velas para agradar falsos Deuses e manter sua falsa fé em um perdão inexistente, uma vez que a noção de pecado é uma forma deveras estranha de limitar-se, controlar a sociedade e fugir do que os seres são propostos. Os humanos, pelo menos. Pensou: os cachorros que são espertos e não criam cultos. No reino animal, cada um sabe exatamente o que é e assim é feliz. Por exemplo, nunca vira uma galinha colocando seus ovos em um púlpito (no formato de uma frigideira gigante) no topo de uma montanha, bradando seu amor ao Senhor, com uma marreta na mão.
Imaginou que num futuro próximo, o padre seria um robô santificado pelo Vaticano e o Papa um cérebro conservado de algum idoso com o corpo morto.
Decidiu voltar ao frio, em direção ao velário ''analógico''. Surpreendeu-se ao encontrar somente uma vela, enquanto no interior, quase todas as lâmpadas estavam acesas. Era uma vela grossa, daquelas de sete dias, apagada. Arrepiou-se pois estava ventando, provavelmente a razão pela qual a vela não estava acesa. Pensa que se o desejo da pessoa que a havia deixado ali fosse realmente sincero, a vela haveria de ficar acesa. Sentiu-se então na obrigação de prolongar um pouco a esperança e com a ajuda de um isqueiro preto e longo, trouxe o fogo ao pavio. Quer fosse para um morto, quer para um vivo que gostasse de promessas, ali estava, acesa e bonita.
Enquanto sentia o calor do clamor dos desesperados emergindo da chama presa ao pavio, sentiu uma vontade enorme de tomá-la para si. Afinal, ela estava abandonada lá, apagada e largada à própria sorte. Pensou que tinha velas em casa e que seria ridículo, apesar de divertido, roubar as velas da igreja. Afinal, o que era divertido que não era ridículo, de certa forma? Tudo dependia de quem olhava. Glorificando ou justificando, não sabe-se ainda, disse para si que seria um ato deliberado de rebeldia, de luta contra a massificação baseada na fé, mas ainda assim, um furto desnecessário.
Quando decidiu não levar a vela, uma rajada gélida decidiu que a chama não tremeluzeria mais e a apagou. Sentiu-se cansada daquilo tudo e acendeu, não a vela, mas um cigarro. Encaminhou-se para casa, com o nariz ainda dolorido e gelado de quem vê a fumaça da respiração no ar.


¹ Genoflexão: Flexão dos joelhos, hábito comum entre católicos ao entrar ou passar por uma igreja.





Descobrindo que ainda não dá pra postar do Ipod. ir o app desse troço? i

sexta-feira, 21 de maio de 2010

Argh,

Hoje acordei com dor. De cabeça, na nuca e no resto todo que parece fazer parte de mim.

Não consigo pensar direit, desenhar, escrever, e não ri o dia inteiro. Nao tenho vontade. Olhei pra minha cara no espelho e tive vontade de vomitar.

me vomitaria inteira no espelho.

quarta-feira, 19 de maio de 2010

42 [2]

To tentando criar uma teoria de ordenação da propriedade caótica das partículas baseada em fractais, e isso não tá parecendo fácil, tampouco to com entusiasmo mágico pra isso. Conversando com um amigo sobre a idéia:

R. the bigger within the smaller. diz:
então
aquela coisa de uma particula ser 'derivada'' da outra, uma cópia ou semelhante a particula inicial, me leva a crer que toda aquela coisa do caos tem sim uma ordem. mesmo que baseada na entropia.
o detalhe é que isso seria uma contradição
pq parece que a evolução final de toda ordem é a desordem
sendo assim, bastaria saber se é ordenado ou não. agora, como a desordem se dá, ainda não pensei
rodrigo s, diz:
você precisa de um amigo físico e um amigo filósofo
pq eu não tô dando conta não.



Alguém se habilita?

42 [1]

A quem interessar possa, eu começo a divagar sobre as perguntas fundamentais dos Seres Humanos.
Não lembro nem quando comecei a pensar nisso, provavelmente na mesma época que todos começamos: quando criança.
Se todo mundo possui uma pré-historia, eu trabalhei muito mais o cérebro do que o corpo na minha, diga-se de passagem. Mas não, não levo a infância como pré, já era e ainda é parte dominante e livre do cérebro que possuo, ou que sou. Sim, pois somos cérebros.
Afinal, de que adianta um corpo muito bem desenvolvido, com peças de tecido detalhadamente feitas por assalariados, ditadas por uma fase passageira dos ''formadores de opinião'', sem o cérebro? Aliás, quem seriam os tais ''formadores'' sem o cérebro e seus impulsos elétricos?
Diz-se da pessoa criativa, aquela que possui mente mais ''fértil'' do que a maioria. Levando em consideração que tudo o que vemos, sentimos, tocamos e ouvimos são ilusões elétricas (incluindo a matéria do corpo em que nos encontramos), e que em nossa maior parte, possuímos todos os sentidos, temos uma capacidade criativa maior do que imaginamos (que, aliás, é tudo que pode ser tomado como experiência física) no milimétrico espaço cúbico reservado dentro de nossos cérebros.
Sim, liberte-se, você é tão criativo quanto Dali! Um pouco mais fechado, talvez, mas possui as mesmas características básicas.


sexta-feira, 7 de maio de 2010

Opa!

Sei que vou continuar os pensamentos sobre as coisas que eu to lendo, mas só pra deixar anotado aqui uma coisa interessante:

Tava num site pra gente grande e a trilha sonora de um dos vídeos me intrigou. Fui procurar no São Google o que era e não encontrei. MAS, PORÉM, CONTUDO,TODAVIA,ENTRETANTO, eu encontrei uma cantora contemporânea de Jazz que me interessou bastante. Musicalmente falando, ok? Ela é uma gracinha, mas não.

O nome da querida é Lisa Ekdahl.Segundo o site CCB de Portugal:
"Com apenas 23 anos*, Lisa Ehdahl, compositora e letrista das suas próprias canções, lançou o álbum de estreia que a catapultou para a fama no seu país natal, atingindo a quádrupla platina ao fim de alguns meses. Em 1998, o álbum Back to Earth, o segundo gravado em inglês e, agora com o trio de Peter Nordahl, consagrou-a como uma das mais fascinantes vozes femininas contemporâneas. Bom exemplo disso é o facto da coreógrafa alemã Pina Bausch ter escolhido algumas das suas canções, ao lado de Nina Simone, Caetano Veloso ou Prince, para integrar o alinhamento dos espectáculos que vimos recentemente em Lisboa. Sendo frequentemente comparada a cantoras como Norah Jones, Diana Krall, Stacey Kent ou Jane Monheit, Lisa Ekdahl possui um tom profundamente carregado de emoção e conquistou já por três vezes os prestigiados Grammy Awards."

*O artigo é de 2008.

Aqui o link pro vídeo que me chamou atenção - o que não é de gente grande: http://www.youtube.com/watch?v=oFADZlqZY90

Perguntas:Quem são Stacey Kent e Jane Monheit? Peter Nordahl? Pina Bausch? Nina Simone?

São Google responde:

Stacey Kent: Segundo wikipedia: http://pt.wikipedia.org/wiki/Stacey_Kent
A voz dela tá me dando vontade de chorar, é lindinha. E entendi o pq de compararem a Lisa com ela. Escuta só o jeitinho.
Canal da Stacey no Youtube, com direito a Águas de Março em francês: http://www.youtube.com/user/StaceyKentmusic


Jane Monheit: Segundo wikipedia: http://pt.wikipedia.org/wiki/Jane_Monheit
Voz forte, gostosa de ouvir, sim. Só não espero a hora que ela começar a gritar. Tipo Ana Carolina. Adoro a voz, começou a gritar, vira uma cacatua ensandecida. Mas até agora to adorando. Lembra um pouco, bem de leve, Norah Jones. Mas parece ser mais clássica, mesmo. Ainda acho Norah um xodó!
Canal da moçoila no Youtube: http://www.youtube.com/user/janemonheit

Peter Nordahl: Na verdade, não encontrei nada isoladamente sobre o nome. Encontrei sobre o Trio. E basicamente, é o trio que toca com a Lisa Ekdahl. Tudo quanto é sueco termina com DAHL?


Pina Bausch: Coreógrafa Alemã. Achei alguns trabalhos interessantes dela, vale dar uma olhada. Gostei muito. Emocionante. Morreu em junho do ano passado, com 68 anos. RIP.
Segundo wikipedia: http://pt.wikipedia.org/wiki/Pina_Bausch
Canal de um fã incondicional, contando 96 vídeos: http://www.youtube.com/user/rphilippart


E finalmente, Nina Simone: Segundo wikipedia: http://pt.wikipedia.org/wiki/Nina_simone. É SÉRIO, SE VOCE DEIXAR DE OUVIR TÁ PERDENDO MUITO. Se você nunca ouviu, experimenta. Pra ela eu coloco a página de pesquisa do youtube, pra voce poder escolher qualquer um dos vídeos dela. Morreu em 2003. RIP.

http://www.youtube.com/results?search_query=Nina+simone&aq=f


Pois é, agora voce [e eu] sabemos quem são essas pessoas. E tivemos chance de dar uma olhada em generos musicais revisitados, na área da dança e interpretação. Tudo isso sem sair de casa. Cartão de crédito pra quê?

Iniciação à História da Arte. - H.W.JANSON E ANTHONY F. JANSON

Comentários sobre cada pensamento interessante que eu encontrar.

"IMAGINAÇÃO"
Somente os homens têm a capacidade de articular entre si o conteúdo de sua imaginação, diferentemente dos animais, através de relatos orais ou imagens. Apesar de que nada me convence que os animais não se comunicam entre si. Cães, por exemplo, eu acho que eles usam frequencias mentais. Não sei se são racionais, mas acho que a intuição deles deve ter formas pré-prontas de comunicação e modelos mentais passados de pai para filho. Divagando, só.

O teste da mancha de tinta. Adoraria fazê-lo. Será que tem disponível online?

IMPORTANTE:

" imaginação [...] pode ser vista como o elo de ligação entre o consciente e subconsciente,onde se dá a maior parte de nossa atividade cerebral. É, por assim dizer, a COLA que mantém UNIDOS a PERSONALIDADE, o INTELECTO e a ESPIRITUALIDADE do homem. Por ser suscetível de reagir aos três, a imaginação atua segundo formas sistemáticas, embora variáveis, que são determinadas pela psique e pela mente."

Dúvida: mas psique e mente não são a mesma coisa? Acho que a expressão foi mal colocada, o importante é que dá pra entender. No caso, penso eu, os autores quiseram diferenciar os niveis de pensamento entre intuitivo/inconsciente/subconsciente (psique) e o racional, no caso, a mente.

Tá aqui um esqueminha rápido que fiz no paint, mesmo.



Sendo assim, temos: Criação de modelos mentais, conceitos, pré-conceitos (após a "ruminação"), concepções, gua suas escolhas (combinações de variáveis intelectuais (na mente) para formação de pensamentos específicos. Ver o lado bom ou ruim de algo é determinado pelo resultado dessa equação- que eu ainda não sei conscientemente qual é), possibilita ou não suas experiências, consequentemente seu aprendizado e bagagem mental, tudo matematicamente falando.
Deve-se levar em conta toda a situação, os instintos, as possibilidades de erro e acerto- que são imaginadas de acordo com as experiencias anteriores, o resultado esperado também vai passar por esse processo imaginativo antes que a gente decida tomar o caminho até ele, que por sua vez também possui um processo matemático isolado que depois pode juntar-se com os belos parentesis da intersecção imaginativa. Tudo isso passa pela nossa cabeça antes de dar um único passo. E vai repassando, sendo recalculada de acordo com a rota traçada mentalmente.

Tá, agora eu vou a farmácia e ao mercado, quero voltar rápido. Antes preciso comer, estou com fome. Mas quero descansar, minhas costas doem. Eu estou menstruada, por isso que doem. Então eu preciso ir a farmácia pq eu me sinto desconfortável graças a isso.

Viu? As ligações mentais todas passam pela nossa imaginação. E uma coisa é importante. Todos os seres humanos possuem imaginação, senão nós não teríamos nem como aprender a nos comunicar da forma que fazemos, muito menos eu estaria aqui no blog.
E voce, meu único leitor, não teria lido esse monte de baboseiras aparentemente interessantes.

BACK TO COLD PIZZA.

EU VOLTAREEEI. MWAHAHAHAHAHHA.

Sério, depois eu volto pra continuar. parece que tá me ajudando a estudar. <3>